Infelizmente, ainda hoje, muitos produtores de leite e de gado de corte desconhecem
ou não dão o devido valor a uma das boas práticas de manejo mais importantes na criação
de bezerros, que é cura da região umbilical imediatamente após o nascimento e de forma
correta. Por isso, temos encontrado, em nossa prática diária, um número muito alto de bezerros
com infecções umbilicais (onfalites), chegando a até 60 a 70% dos bezerros em várias
propriedades que tivemos a oportunidade de acompanhar.
Para entendermos a importância da adequada cura da região umbilical do bezerro recémnascido,
podemos chamar o cordão umbilical de “linha da vida”, antes do nascimento do
bezerro, pois, por ele, chegam ao sangue do feto o oxigênio e todos os nutrientes que este
precisa para se desenvolver, vindos do sangue da mãe, e sai tudo aquilo que não serve mais para
o bezerro dentro do útero.
Após o nascimento, o cordão umbilical pode se tornar a ¨ linha da morte ¨, caso a
região umbilical não seja curada corretamente. Se a cura da região umbilical for tardia e mal
feita, as estruturas que formam o cordão umbilical (veia, artérias e o úraco, que é um canal que
chega até a bexiga) permanecerão abertas, tornando-se portas de entrada para bactérias que
irão causar infecções em diferentes locais do organismo do bezerro.
Antes de falarmos sobre quando e como curar adequadamente a região umbilical do
bezerro, cabe salientar que a primeira causa de onfalites em uma fazenda é o fato de os
bezerros não nascerem em um local limpo e seco, bem drenado, sem amontoados de
esterco ou lama e com boa cobertura de gramíneas no solo. Muitas vezes, o parto ocorre no
curral, que é o local mais contaminado da fazenda e onde, frequentemente, podemos observar a
presença excesso de fezes, lama ou muita umidade e matéria orgânica. Por isso, toda
propriedade, sobretudo de gado de leite, deve ter um piquete maternidade, alocado em um
terreno que tenha leve declividade para não ocorrer encharcamento, formando lama, e
que se mantenha com boa cobertura de gramíneas ao longo do ano. Caso contrário, de nada
adiantaria curarmos adequadamente a região umbilical, pois estaríamos, literalmente, “correndo
atrás do prejuízo”, uma vez que a infecção do cordão umbilical já teria acontecido muito antes
da cura e se espalhado por todo o corpo do bezerro.

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